Ganges - Na Índia chamado de Ganga
Na Índia os rios são considerados extensões e
manifestações parciais dos deuses, do divino. Segundo a cosmologia
Rigvédica, a própria possibilidade de vida no planeta está associada
com a libertação das águas celestiais empreendida por Indra, deus da
chuva. Vrtra, o demônio do caos, escondeu e guardou as águas, inibindo
assim a criação. Quando Indra derrotou Vrtra, as águas celestiais se
precipitaram sobre a terra dando assim o inicio da vida.
Segundo a cosmologia hindu, o Rio Ganges se origina nos céus. A Kumbh Mela, grande festival que ocorre ao redor do Ganges, é uma celebração da criação. Certa vez, os deuses e os demônios lutavam pela kumbh (jarra, pote), onde se encontrava o amrit (néctar) criado pelo sagar manthan (o escumar dos oceanos). Jayant, filho de Indra, escapou com a kumbh e por doze dias consecutivos os demônios lutaram contra os deuses pela posse da jarra. Finalmente, venceram os deuses que beberam o amrit e alcançaram a imortalidade.
Durante a batalha pela posse da kumbh, cinco gotas de amrit caíram na terra, em Allahabad, Haridwar, Nasik e Ujjain, as quatro cidades onde o festival da Kumbh Mela é celebrado. Até hoje, a cada doze anos, cada uma dessas cidades é sede da mela. A Maha Kumbh Mela de 2001, em Allahabad, foi um dos maiores e mais espetaculares festivais jamais ocorridos. Cerca de 30 milhões de pessoas se reuniram na cidade sagrada para se banharem nas águas sagradas do Ganges.
O mais antigo e mais conhecido mito sobre a criação do Ganges é o "Bhagirath". Bhagirath era descendente do Rei Sagar, o rei dos oceanos. O Rei Sagar tinha massacrado os demônios na terra e estava realizando um aswamedh-yagya (sacrifício de um cavalo), proclamando sua supremacia. Indra, deus da chuva e soberano supremo do reino dos deuses, temia perder seu poder, roubou o cavalo de Sagar e o amarrou ao ashram do grande sábio Kapil. Naquela época Kapil estava em profunda meditação, inadvertido da diabrura de Indra.
Quando o Rei Sagar ficou sabendo do cavalo roubado, enviou seus 60.000 filhos para buscá-lo. Os filhos, finalmente, encontraram o cavalo perto do sábio que meditava e começaram a armar um ataque contra ele. Quando o sábio abriu os olhos ficou irado por encontrar os irmãos conspiradores, reduzindo-os a cinzas.
Anshuman, neto do Rei Sagar, conseguiu reaver o cavalo do sábio Kapil. Anshuman reportou ao seu avô que o sábio, irado, tinha queimado seus 60.000 filhos. O único modo para que os filhos pudessem alcançar a abóbada celeste seria se o Ganges descesse dos céus até eles, para que a água pudesse purificar as cinzas de seus filhos. Infelizmente, Anshuman e seu filho Dilip não foram bem-sucedidos em sua tentativa de trazer o Ganges a terra.
Finalmente, Bhagirath, neto de Anshuman, foi aos Himalaias e começou a meditar na cidade de Gangotri. Após uma longa meditação, o Ganges lhe apareceu em seu corpo físico, concordando em descer até a terra desde que alguém conseguisse amortecer o impacto de sua poderosa queda, pois, do contrário, a terra seria destruída pelo impacto. O Rei Bhagirath apelou para Shiva, que aceitou suavizar o impacto da descida do Ganges usando seu próprio cabelo. O rio seguiu Bhagirath até onde as cinzas dos filhos do Rei Sagar tinham sido empilhadas, purificando suas almas e abrindo para eles o caminho até os céus.
Como o Ganges desce do céu, ele representa uma ponte sagrada para o divino. O Ganges é uma tirtha, um lugar de travessia de um ponto para outro. O Gangastothra-sata-namavali é uma ode ao rio que revela o profundo efeito do mesmo sobre a Índia. Essa ode-saudação contém os 108 nomes sagrados do rio. O papel do Ganges como mediador entre este mundo material e o plano divino toma forma nos rituais dos funerais. As cinzas de nossos antepassados são lançadas no Ganges, de modo que, como os filhos do Rei Sagar, eles também consigam efetuar a transição para os céus.
Como o Ganges, o Yamuna, o Kaveri, o Narmada e o Brahmaputra são todos rios sagrados, e são adorados como deusas. Acredita-se que eles purificam e descarregam as impurezas materiais e espirituais. Suas renomadas características de purificação são o motivo pelos quais em seu banho diário, os hindus devotos cantam: "Ó Mãe Sagrada Ganga, Ó Yamuna, Ó Godavari, Ó Sarasvati, Ó Narmada, Ó Sindhu, Ó Kaveri. Que vocês se comprazam em se manifestar nessas águas com que me purifico.”.
O Ganges não só possui as qualidades purificadoras da água, como também está saturado de minerais antissépticos que matam bactérias. Pesquisas bacteriológicas recentes confirmaram que os germes da cólera morrem nas águas do Ganges.
O Dr. F.C. Harrison escreveu: “Um fato peculiar que nunca foi satisfatoriamente explicado é a rápida morte, de três a cinco horas depois do Cholera vibrio nas águas do Ganges. Quando nos lembramos de que as águas de esgoto contém a presença de numerosos cadáveres, muitos dos quais morreram de cólera, e dos milhares de nativos que se banham, parece notável a crença dos hindus de que a água deste rio é pura e não pode ser contaminada e de que eles podem beber e se banharem com segurança; ela deveria ser confirmada através da pesquisa bacteriológica moderna.”
O Ganges não é somente a paz depois da morte — mas uma fonte de prosperidade durante a vida. A planície do Ganges é uma das regiões mais férteis do mundo. No início da estação de aragem, em Bihar, os agricultores, antes de plantarem suas sementes, colocam um pouco de água do Ganges numa jarra, conservando-a num lugar especial em seus campos de cultivo, para garantir uma boa colheita. A luta pela kumbh, entre os deuses e os demônios, entre aqueles que protegem e aqueles que destroem, entre aqueles que nutrem e aqueles exploram é incessante. Cada um de nós tem um papel a desempenhar na forma que daremos à história da criação do futuro. Cada um de nós é responsável pela kumbh – a jarra ou pote que contém a água sagrada.
Segundo a cosmologia hindu, o Rio Ganges se origina nos céus. A Kumbh Mela, grande festival que ocorre ao redor do Ganges, é uma celebração da criação. Certa vez, os deuses e os demônios lutavam pela kumbh (jarra, pote), onde se encontrava o amrit (néctar) criado pelo sagar manthan (o escumar dos oceanos). Jayant, filho de Indra, escapou com a kumbh e por doze dias consecutivos os demônios lutaram contra os deuses pela posse da jarra. Finalmente, venceram os deuses que beberam o amrit e alcançaram a imortalidade.
Durante a batalha pela posse da kumbh, cinco gotas de amrit caíram na terra, em Allahabad, Haridwar, Nasik e Ujjain, as quatro cidades onde o festival da Kumbh Mela é celebrado. Até hoje, a cada doze anos, cada uma dessas cidades é sede da mela. A Maha Kumbh Mela de 2001, em Allahabad, foi um dos maiores e mais espetaculares festivais jamais ocorridos. Cerca de 30 milhões de pessoas se reuniram na cidade sagrada para se banharem nas águas sagradas do Ganges.
O mais antigo e mais conhecido mito sobre a criação do Ganges é o "Bhagirath". Bhagirath era descendente do Rei Sagar, o rei dos oceanos. O Rei Sagar tinha massacrado os demônios na terra e estava realizando um aswamedh-yagya (sacrifício de um cavalo), proclamando sua supremacia. Indra, deus da chuva e soberano supremo do reino dos deuses, temia perder seu poder, roubou o cavalo de Sagar e o amarrou ao ashram do grande sábio Kapil. Naquela época Kapil estava em profunda meditação, inadvertido da diabrura de Indra.
Quando o Rei Sagar ficou sabendo do cavalo roubado, enviou seus 60.000 filhos para buscá-lo. Os filhos, finalmente, encontraram o cavalo perto do sábio que meditava e começaram a armar um ataque contra ele. Quando o sábio abriu os olhos ficou irado por encontrar os irmãos conspiradores, reduzindo-os a cinzas.
Anshuman, neto do Rei Sagar, conseguiu reaver o cavalo do sábio Kapil. Anshuman reportou ao seu avô que o sábio, irado, tinha queimado seus 60.000 filhos. O único modo para que os filhos pudessem alcançar a abóbada celeste seria se o Ganges descesse dos céus até eles, para que a água pudesse purificar as cinzas de seus filhos. Infelizmente, Anshuman e seu filho Dilip não foram bem-sucedidos em sua tentativa de trazer o Ganges a terra.
Finalmente, Bhagirath, neto de Anshuman, foi aos Himalaias e começou a meditar na cidade de Gangotri. Após uma longa meditação, o Ganges lhe apareceu em seu corpo físico, concordando em descer até a terra desde que alguém conseguisse amortecer o impacto de sua poderosa queda, pois, do contrário, a terra seria destruída pelo impacto. O Rei Bhagirath apelou para Shiva, que aceitou suavizar o impacto da descida do Ganges usando seu próprio cabelo. O rio seguiu Bhagirath até onde as cinzas dos filhos do Rei Sagar tinham sido empilhadas, purificando suas almas e abrindo para eles o caminho até os céus.
Como o Ganges desce do céu, ele representa uma ponte sagrada para o divino. O Ganges é uma tirtha, um lugar de travessia de um ponto para outro. O Gangastothra-sata-namavali é uma ode ao rio que revela o profundo efeito do mesmo sobre a Índia. Essa ode-saudação contém os 108 nomes sagrados do rio. O papel do Ganges como mediador entre este mundo material e o plano divino toma forma nos rituais dos funerais. As cinzas de nossos antepassados são lançadas no Ganges, de modo que, como os filhos do Rei Sagar, eles também consigam efetuar a transição para os céus.
Como o Ganges, o Yamuna, o Kaveri, o Narmada e o Brahmaputra são todos rios sagrados, e são adorados como deusas. Acredita-se que eles purificam e descarregam as impurezas materiais e espirituais. Suas renomadas características de purificação são o motivo pelos quais em seu banho diário, os hindus devotos cantam: "Ó Mãe Sagrada Ganga, Ó Yamuna, Ó Godavari, Ó Sarasvati, Ó Narmada, Ó Sindhu, Ó Kaveri. Que vocês se comprazam em se manifestar nessas águas com que me purifico.”.
O Ganges não só possui as qualidades purificadoras da água, como também está saturado de minerais antissépticos que matam bactérias. Pesquisas bacteriológicas recentes confirmaram que os germes da cólera morrem nas águas do Ganges.
O Dr. F.C. Harrison escreveu: “Um fato peculiar que nunca foi satisfatoriamente explicado é a rápida morte, de três a cinco horas depois do Cholera vibrio nas águas do Ganges. Quando nos lembramos de que as águas de esgoto contém a presença de numerosos cadáveres, muitos dos quais morreram de cólera, e dos milhares de nativos que se banham, parece notável a crença dos hindus de que a água deste rio é pura e não pode ser contaminada e de que eles podem beber e se banharem com segurança; ela deveria ser confirmada através da pesquisa bacteriológica moderna.”
O Ganges não é somente a paz depois da morte — mas uma fonte de prosperidade durante a vida. A planície do Ganges é uma das regiões mais férteis do mundo. No início da estação de aragem, em Bihar, os agricultores, antes de plantarem suas sementes, colocam um pouco de água do Ganges numa jarra, conservando-a num lugar especial em seus campos de cultivo, para garantir uma boa colheita. A luta pela kumbh, entre os deuses e os demônios, entre aqueles que protegem e aqueles que destroem, entre aqueles que nutrem e aqueles exploram é incessante. Cada um de nós tem um papel a desempenhar na forma que daremos à história da criação do futuro. Cada um de nós é responsável pela kumbh – a jarra ou pote que contém a água sagrada.

